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05/01/17 09:19

MERCADO

Os segredos da metodologia see now buy now praticada pela Zara

Os segredos da metodologia see now buy now praticada pela ZaraEm uma indústria movida pela previsão de tendências, onde os olhos dos designers vislumbram as estações várias temporadas à frente dos consumidores; colocar a peça mais cobiçada do mês nas araras ainda é uma das estratégias com maior apelo comercial para o mercado.

Neste quesito a Zara ainda permanece uma referência, por conseguir lançar a peça do momento no tempo certo, todos os meses. A empresa-mãe Inditex, maior varejista de moda do mundo em vendas, é uma das gigantes que ainda aposta que a garantia sucesso dos negócios de moda ainda está na metodologia da compra movida pelo impulso.

Levar um casaco campeão de vendas do design para o varejo em apenas 25 dias é apenas um dos cases constatados recentemente através de uma pesquisa do Wall Street Journal. Neste modelo, que depende muito mais da pesquisa observacional do que propriamente relatórios de marketing e números de vendas; os responsáveis pelas lojas são a chave do êxito. De acordo com a metodologia Zara, são eles que ouvem os clientes, identificam as buscas, e transmitem as informações à sede da empresa em Arteixo, na Espanha; chegando muitas vezes a fazer viagens de avião para a sede, para serem consultados.

No estudo de caso, o Wall Street Journal rastreou um casaco da Zara em desenvolvimento. Os responsáveis de loja, designers e equipes comerciais trabalharam juntos, no mesmo escritório, para desenvolverem o conceito. Em seguida, os criadores de padrões rapidamente conceberam um protótipo de um tecido. Demorou apenas cinco dias para se chegar a um design. As confecções, por sua vez, produziram 8 mil casacos em 13 dias. A Zara enviou-os para o seu centro logístico em Zaragoza e depois transportou-os para o aeroporto de Barcelona. Em 24 horas, chegaram ao Aeroporto Internacional John F. Kennedy e foram enviados para uma loja na 5.ª Avenida. Para incitar as clientes a comprarem a peça, vendida por 189 dólares (aproximadamente 179 euros), a loja enfatizou que tratava-se de uma produção com estoque reduzido e limitado.

A proximidade entre as confecções e os pontos de venda também são fatores determinantes deste case. A confecção de cerca de 60% do vestuário Zara acontece perto da sede, o que lhe permite cortar nos lead times dos artigos, uma vez que não há tantos obstáculos logísticos colocados pela distância. A H&M, uma das principais concorrentes, continua terceirizando a maior parte da sua produção na Ásia e ainda encomenda 80% das suas peças de vestuário com meses de antecedência.

A moda sempre foi orientada por tendências, mas, o ciclo está mais acelerado do que nunca pela intervenção de bloggers e influenciadores digitais, que transformam uma peça de vestuário em algo viral do dia para a noite. O luxo também tem procurado adaptar-se aos novos tempos da indústria, aproximando este ano o seu modelo ao novo ideal do “see now, buy now”, que a Zara, já está praticando há anos.

Fonte | Assinatura: VIVIAN DAVID/PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO

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