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28/07/16 09:04

ENTREVISTA

Renato Kherlakian fala sobre o sucesso da Zoomp e o mercado jeanswear atual

Renato Kherlakian fala sobre o sucesso da Zoomp e o mercado jeanswear atualSão 32 anos de história dentro do segmento jeanswear com uma marca que esteve no topo acompanhando todas as transformações pelas quais a moda e a sociedade passou. Essa é a Zoomp, comandada pelo estilista Renato Kherlakian, que atuou brilhantemente entre 1974 e 2006 trazendo um jeans anatômico e com numerações intermediárias, além da Zapping para o público teen e uma série de campanhas como as fotografadas por Mário Testino e desfiles inesquecíveis como os destinados ao GRAAC.

Renato, que criou posteriormente a RK Denim focada no mercado premium, acaba de lançar o livro “Uns jeans, uns não” que conta os momentos mais importantes da marca e traz ainda tópicos do universo azul como "lavagem", "denim", "alma", "humor". O livro produzido em parceria com a SENAI-SP Editora e com textos escritos por Ronald Sclavi revela bastidores e histórias deste ícone que fez sucesso entre 1974 e 2006. Conversamos com Renato Kherlakian para saber mais sobre esse projeto e é claro, sobre o produto que mais gostamos - o denim. Confira!

Guia Jeanswear - Como surgiu a ideia de lançar um livro abordando a história da Zoomp?
Renato Kherlakian - Desde que a Zoomp foi criada em 1974 foram sendo formadas historias de muita qualidade para um mercado que engatinhava rumo ao alinhamento junto aos mercados internacionais. Em toda a sua trajetória sempre demonstramos a intenção de tornarmos líderes de mercado e esta obsessão fez com que juntássemos conteúdo suficiente para poder contar as realizações da empresa vividas no mercado ao longo dos 32 anos em que estive a frente da marca. Historias que agora são marcadas e reconhecidas nesta obra editada pelo Senai.

GJ - Qual o tipo de interação que o QR Codes oferece?
RK -O Qrcode proporciona ao leitor uma viagem adicional passando por alguns desfiles memoráveis e campanhas que a marca lançou com diretores super talentosos que ajudaram a definir o branding da melhor marca jeans brasileira.

GJ - O livro é direcionado à qual público-alvo?
RK - O livro tem a intenção de registrar a passagem pelo mercado de uma das marcas mais importantes do cenario de moda nacional que chama a atenção de um público que vestiu a marca, jovens criadores, estudantes de moda, para indústria textil e de confecção brasileria. O livro também apresenta um glossário que de A a Z tem um conteúdo histórico muito importante para as pessoas terem noção do que a marca realizou e conquistou dentro e fora do pais. Uma trajetória de conquistas e sucessos.

GJ - O que mais tem saudade da época da Zoomp? E, o que faria diferente?
RK - Sinto saudades de quando montava os projetos para a marca e os “ vendia" para as equipes internas e colaboradores externos como fotógrafos, produtores que pudessem se envolver com as ideias e se tornarem parceiros. Foram dezenas de profissionais que tive a oportunidade de conhecer e realizar façanhas inusitadas. Provavelmente nos dias atuais seria mais precavido com gastos em determinadas mídias e investiria mais no social, exemplo, o grande projeto junto ao GRAACC.

GJ - Quais as principais mudanças da marca nestes 32 anos de existência?
RK - A Zoomp acompanhou passo a passo a evolução do mercado e contribui bastante para as grandes mudanças de arquitetura, vitrinismo, atendimento, vestibilidade e qualidade de seus produtos sempre respeitando uma cliente exigente e de bom gosto. Grandes parcerias com as indústria têxteis contribuíram para esta evolução.

GJ - Há a possibilidade da Zoomp voltar sob seu comando? E, o por quê?
RK - Zoomp foi vendida em 2006, sem chances de retomá-la.

GJ - Você ainda mantém a marca RK desenvolvendo artigos premiums?
RK - Rk denim foi a marca que mais contribuiu para o conceito de um denim high end, permaneceu no mercado por anos com este conceito e definição.

GJ - Na sua opinião, o que falta para o denim brasileiro competir com os produtos importados?
RK - Estamos entre os 5 maiores produtores de Denim no mundo, temos um setor de confecção gigantesco e acabamos concentrando as nossas forças no Jeans de comodityes e, infelizmente, disputando o mercado através de preço deixando de lado a criatividade e qualidade desistindo de continuar pressionando a redução do custo Brasil e para complicar não revelando talentos com a alma jeanszeira.

GJ - O que acha da tecnologia das indústrias têxteis brasileiras que trabalham com o mercado jeanswear?
RK - Somos muito bem equipados e com boas equipes de engenheiros têxteis, temos a matéria-prima denim responsável por quase 400 milhões de metros lineares anuais, contamos com a sorte para que o consumidor não desista de insistir para que nosso Jeans esteja alinhado aos melhores e globalizados.

GJ - E, em relação às lavanderias? O que pode ser modificado para se obter um jeans de qualidade aliando custo x benefício?
RK - No passado as lavanderias tratavam e beneficiavam o jeans com esmero e preciosismo de diamanteiros. A necessidade de tornar o jeans competitivo através de preços fez com que a qualidade se perdesse ao longo desta última década. O governo poderia muito bem dar uma ajuda forte no sentido de tornar as lavagens de jeans menos caras reduzindo a tributação dos materiais importados imprescindíveis para um bom desbote.

GJComo você vê as principias marcas jeanswear brasileiras?
RK - Há anos não surge um nova marca de jeans nacional com distribuição seletiva e de vestibilidade próxima a que a Zoomp teve no passado, as existentes diversificaram suas linhas e não deram aprimoramento ao velho e bom blue jeans tornado-os competitivos em preços e baixa qualidade. A confecção jeans se ampliou e se tornou mais do que nunca regionalizada atendendo aos desejos e bolsos dos consumidores de cada região. Está próxima a hora da virada.

GJ - E porque nenhuma das marcas atuantes conseguiram o sucesso da Zoomp no passado, existe algum segredo?
RK - Creio que esteja reservado um futuro azulado e com tons incríveis para o Jeans nacional. A próxima fase será de produtos com construções aperfeiçoadas, matérias-primas tecidas com algodão superior e elasticidade reduzida, ideias novas e não somente copiadas para que possamos viver novos dias de glória com o sucesso do Sexy Jeans que a Zoomp levou para outros continentes, afinal a globalização força o país a dar mais atenção ao que sempre foi um produto com a cara do brasileiro, a calça jeans.

GJ - Quais os próximos projetos?
RK -Trabalho com projetos que possam dar retorno a boa calça companheira no dia a dia.

Fonte | Assinatura: VANESSA DE CASTRO

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